Tag: José Tolentino Mendonça
FAZER JEJUM DAS PALAVRAS
Senhor, ajuda-nos a fazer jejum das palavras. Das palavras desnecessárias, ruidosas, poluídas. Das palavras dúplices e opulentas, das palavras que atropelam, das palavras injustas, das palavras que divergem e atraiçoam, das palavras que separam. Ajuda-nos a jejuar das palavras que te escondem, das palavras em
REZAR O ADVENTO
Advento, tempo de espera. Não apenas de um dia, mas daquilo que os dias, todos os dias, de forma silenciosa, transportam: a Vida, o mistério apaixonante da Vida que em Jesus de Nazareth principiou. Advento, tempo de redescobrir a novidade escondida em palavras tão frágeis
TEMPO DE ADVENTO: A ARTE DE ESPERAR
Estava aqui lendo uma entrevista do grande fotógrafo Sebastião Salgado em que faz o elogio de um prazer inusual: o prazer de esperar. E não é que ele tenha quaisquer ilusões sobre a distância a que estamos desse prazer culturalmente interdito: “Vivemos hoje num acelerador
ADVENTO
Rezar com Maria em tempo de Advento O que te peço, Senhor, é a graça de ser. Não te peço mapas, peço-te caminhos. O gosto dos caminhos recomeçados, com suas surpresas, suas mudanças, sua beleza. Não te peço coisas para segurar, mas que as minhas
A SUBSTÂNCIA DAS COISAS ESPERADAS
“O que posso saber? O que devo fazer? O que me é permitido esperar?” A verdade é que as três emblemáticas perguntas em torno às quais Kant articulou o seu pensamento como que se infiltram na vida comum e, de uma forma ou de outra,
A ARTE DO INACABADO
É-nos dito e repetido que o tempo bem aproveitado é um contínuo, tendencialmente ininterrupto, que devemos esticar e levar ao limite. A maioria de nós vive nessa linha de fronteira , em esforçada e insatisfeita cadência, desejando, no fundo, que a vida seja o que
OUVIR A FLORESTA CRESCENDO
A Escuta confere agudeza à própria escuta, amplia a nossa capacidade de ouvir. Sabemos que uma árvore que tomba faz mais barulho do que uma floresta crescendo. E se um caminhão se desloca vazio ou com meia carga faz mais barulho do que se for
O QUE É FEITO DO NOSSO DESEJO?
Há perguntas que estão, desde sempre, à nossa espera. Podemos evitá-las, tentar passar ao largo ou desconversar por longo tempo, mas dentro de nós sabemos que esse esconde-esconde tem um preço. Subtraí-las é subtrairmo-nos e faltar à chamada que a vida nos faz. Uma dessas
TROCAR DE MÃOS
Numa cena de um dos filmes de Krzysztof Kieślowski(*), uma personagem aproxima-se da janela, num momento de particular dilema da sua história, e vê, lá fora, uma anciã que sobe vagarosamente a rua com um saco de compras em cada mão. Vê-a parar um instante,
DEVAGAR PARA SABOREAR
Sem lentidão não há paladar. Talvez precisemos, por isso, voltar a essa arte tão humana que é a lentidão. Os nossos estilos de vida parecem irremediavelmente contaminados por uma pressão que não dominamos; não há tempo a perder; queremos alcançar as metas o mais rápido
TEMPO DE ADVENTO: UMA PERGUNTA DE NATAL
Talvez a etimologia da palavra “desejo” se deva procurar na gramática militar, nessa figura dos desiderantes, de que falou pela primeira vez Júlio César na sua obra “De Bello gallico”. Desiderantes eram os soldados que, a céu aberto, esperavam o regresso dos seus companheiros do
AS MÃOS SUSTÊM A ALMA
Uma das esculturas mais conhecidas de Rodin revela, numa primeira abordagem, uma impressionante simplicidade. Trata-se de uma composição em pedra constituída por um par de mãos. Na verdade, duas mãos direitas, de duas pessoas diferentes cujos braços se entrecruzam e alongam para que os dedos,
O ESPÍRITO É A EXPRESSÃO DE DEUS, O SEU ALFABETO.
É duro e belo o que vem descrito pelo Evangelho de João a propósito da cena do Pentecostes. Os apóstolos estão acossados, de portas fechadas, afundados na própria incerteza, por medo do que lhes possa acontecer. E o Ressuscitado aparece, atravessando o medo deles, perfurando
